O projeto desenvolvido pela secretaria de habitação é destinado a abrigar pessoas que sofreram com as enxurradas de 2008 e 2009. No meu projeto, além dessa população, parte das moradias serão destinadas aos moradores do bairro que se encontram em situação de risco. Há um grande número de pessoas que atualmente ocupam uma área que sofre periodicamente com enchentes, que devido ao lançamento dos esgotos in natura no rio e às valas de esgoto à céu aberto, são grandes causadoras de doenças.
Essa população a que se destina o projeto são então, pessoas que viveram em situação precária até o momento, muito provavelmente por falta de opção.
Entre os objetivos do projeto pretende-se fomentar a integração dessas pessoas com o bairro, além de prover oportunidades de geração de renda.
Devido às situações que sofreram, uma das coisas que o projeto deve proporcionar é segurança, de preferência de maneira bem aparente, para afetar não somente a qualidade de vida do ponto físico, mas também do ponto de vista psicológico.
Outra característica da população vinda do próprio bairro da Tapera (segundo a agente de saúde Rose) é ser uma população bem jovem. Muitas crianças e jovens adultos, pouquíssimos idosos. Isso também deve ser considerado no projeto, destinando áreas específicas para o desenvolvimento saudável dessas crianças.
Buscando uma arquitetura mais sustentável, saudável e bonita para uma vida melhor.
Sunday, June 27, 2010
Saturday, June 26, 2010
Apresentação
Para imagens da área, um pouco dos conceitos e etc, veja também:
http://prezi.com/pvbvzetjsd9y/tcc-bruna/
http://prezi.com/pvbvzetjsd9y/tcc-bruna/
Onde - Versão 2
O local escolhido para o projeto foi um terreno da Tapera, visto que a secretaria de habitação está no momento desenvolvendo um projeto para a área.
A Tapera teve o início da sua ocupação por volta dos anos 70, havendo um boom de expansão levando à ocupação como se observa atualmente entre os anos 70 e 94 (como pode ser observado nas ortofotocartas da Ilha de Santa Catarina). Segundo a agente de saúde do bairro, dona Rose, grande parte dessa ocupação se deu pelas pessoas atraídas para a Ilha para trabalhar na construção civil durante o boom da região Norte da mesma.
O bairro atualmente se encontra desconectado do restante da Ilha, sendo cercado na porção Oeste, Norte e Leste por instituições (FAB, FAB e UFSC e CEFA (Centro de treinamento da Celesc), o que dificulta o acesso do bairro ao centro e aos bairros vizinhos. Por isso ele acaba sendo invísivel paraa grande maioria da população da cidade, que não o vê a não ser que se dirija especificamente a ele.
Por outro lado, a grande população do bairro (cuja estimativa da agente de saúde diz ser de 20mil habitantes) e o grande número de votos da mesma a torna alvo de campanha durante o período eleitoral, quando a mesma houve muitas promessas que acabarão por não serem cumpridas, uma vez que as obras feitas lá não são vistas pelo restante da população e não trazem mais votos.
A área ocupada pelo bairro é de aproximadamente 1,1km², e sua ocupação iniciou pela parte mais alta do mesmo. Nessa região encontra-se a população mais antiga, o maior número de manezinhos e as casas de um padrão melhor (fonte: observações e comentários de pessoas do bairro). A rua norte-sul que se encontra nesse ponto é conhecida como barreira, devido ao antigo monte de barro que ali se encontrava e que foi utilizado em grande parte para o aterro da parte mais baixa do bairro, onde a população mais recente foi se estabelecendo. Essa parte mais baixa sofre sérios problemas devido às cotas baixas, os alagamentos são frequentes. A rua norte-sul que se encontra nessa área é conhecida como rua do juca, onde havia um rio que se tornou o local para despejo dos dejetos, e há um ano foi canalizado e coberto no trecho com ocupação, se tornando uma larga calçada. Embora isso tenha auxiliado na redução dos alagamentos, segundo moradores a canalização do mesmo aumentou seu nível impedindo que o esgoto "desça".
Essas duas ruas norte-sul mencionadas são onde se encontra a maior parte dos comércios e serviços do bairro, sendo, consequentemente as mais movimentadas do bairro.
Os serviços oferecidos no bairro são insuficientes para o tamanho da população do mesmo. Há apenas um posto de saúde, com poucos recursos, faltam vagas em creches, e há apenas um colégio.
Há também no bairro uma espécie de "praia privatizada", num trecho onde as casas acabam por impedir o acesso de terceiros à praia. Essas casa são de veraneio e de uma classe de renda mais elevada. Para a população em geral o acesso à praia se dá por apenas uma rua, e a praia a que se tem acesso é bem pequena. Essa pequena praia é a única área de lazer do bairro, que já não tem áreas públicas, muito menos verdes e/ou de lazer.
O terreno de implantação do projeto se encontra num local com cota mais alta (alta para o geral do bairro), próximo à "barreira", não sendo inundável.
A Tapera teve o início da sua ocupação por volta dos anos 70, havendo um boom de expansão levando à ocupação como se observa atualmente entre os anos 70 e 94 (como pode ser observado nas ortofotocartas da Ilha de Santa Catarina). Segundo a agente de saúde do bairro, dona Rose, grande parte dessa ocupação se deu pelas pessoas atraídas para a Ilha para trabalhar na construção civil durante o boom da região Norte da mesma.
O bairro atualmente se encontra desconectado do restante da Ilha, sendo cercado na porção Oeste, Norte e Leste por instituições (FAB, FAB e UFSC e CEFA (Centro de treinamento da Celesc), o que dificulta o acesso do bairro ao centro e aos bairros vizinhos. Por isso ele acaba sendo invísivel paraa grande maioria da população da cidade, que não o vê a não ser que se dirija especificamente a ele.
Por outro lado, a grande população do bairro (cuja estimativa da agente de saúde diz ser de 20mil habitantes) e o grande número de votos da mesma a torna alvo de campanha durante o período eleitoral, quando a mesma houve muitas promessas que acabarão por não serem cumpridas, uma vez que as obras feitas lá não são vistas pelo restante da população e não trazem mais votos.
A área ocupada pelo bairro é de aproximadamente 1,1km², e sua ocupação iniciou pela parte mais alta do mesmo. Nessa região encontra-se a população mais antiga, o maior número de manezinhos e as casas de um padrão melhor (fonte: observações e comentários de pessoas do bairro). A rua norte-sul que se encontra nesse ponto é conhecida como barreira, devido ao antigo monte de barro que ali se encontrava e que foi utilizado em grande parte para o aterro da parte mais baixa do bairro, onde a população mais recente foi se estabelecendo. Essa parte mais baixa sofre sérios problemas devido às cotas baixas, os alagamentos são frequentes. A rua norte-sul que se encontra nessa área é conhecida como rua do juca, onde havia um rio que se tornou o local para despejo dos dejetos, e há um ano foi canalizado e coberto no trecho com ocupação, se tornando uma larga calçada. Embora isso tenha auxiliado na redução dos alagamentos, segundo moradores a canalização do mesmo aumentou seu nível impedindo que o esgoto "desça".
Essas duas ruas norte-sul mencionadas são onde se encontra a maior parte dos comércios e serviços do bairro, sendo, consequentemente as mais movimentadas do bairro.
Os serviços oferecidos no bairro são insuficientes para o tamanho da população do mesmo. Há apenas um posto de saúde, com poucos recursos, faltam vagas em creches, e há apenas um colégio.
Há também no bairro uma espécie de "praia privatizada", num trecho onde as casas acabam por impedir o acesso de terceiros à praia. Essas casa são de veraneio e de uma classe de renda mais elevada. Para a população em geral o acesso à praia se dá por apenas uma rua, e a praia a que se tem acesso é bem pequena. Essa pequena praia é a única área de lazer do bairro, que já não tem áreas públicas, muito menos verdes e/ou de lazer.
O terreno de implantação do projeto se encontra num local com cota mais alta (alta para o geral do bairro), próximo à "barreira", não sendo inundável.
Sunday, April 25, 2010
Visitando a Tapera
Para ver fotos da visita à Tapera, veja a apresentação em http://prezi.com/pvbvzetjsd9y/tcc-bruna/
Algumas coisas que observei no bairro em estudo, a Tapera:
Apesar de ser uma ocupação ilegal, o bairro não apresenta o aspecto de favela. Situa-se numa área plana, e, ao invés de casas apinhadas, vemos uma configuração mais parecida com um bairro do que uma favela. Temos ruas estreitas, mas as casas são estabelecidas soltas no lote, sendo eles demarcados por cercas e muros. A grande maioria das casas são construídas com afastamento entre o muro e a mesma, criando uma área intermediária entre o público e o privado. Nesse mesmo espaço há o estabelecimento de varandas laterais ou frontais, que têm um uso social, há cadeiras, mesas, brinquedos. Vê-se muitas portas e janelas abertas, permitindo ao passante visualisar um pouco do que se passa dentro da casa.
Percebe-se no bairro que há muita auto-construção, vemos casas em diversos estágios de construção, além de betoneiras nos quintais. Ao contrário da maioria das favelas, onde predomina a "laje", aonde se estabelecerá os puxadinhos, ali se vê muito o telhado cerâmico, duas águas principalmente.
No dia da visita, um sábado, foram vistas muitas pessoas na rua. Grupos de jovens conversando, adultos, idosos, meninas, mães com filhos... Também foi notado o uso da bicicleta como meio de locomoção por muitas pessoas.
O bairro dispõe de posto de saúde e de diversos pequenos comércios e serviços.
Algumas coisas que observei no bairro em estudo, a Tapera:
Apesar de ser uma ocupação ilegal, o bairro não apresenta o aspecto de favela. Situa-se numa área plana, e, ao invés de casas apinhadas, vemos uma configuração mais parecida com um bairro do que uma favela. Temos ruas estreitas, mas as casas são estabelecidas soltas no lote, sendo eles demarcados por cercas e muros. A grande maioria das casas são construídas com afastamento entre o muro e a mesma, criando uma área intermediária entre o público e o privado. Nesse mesmo espaço há o estabelecimento de varandas laterais ou frontais, que têm um uso social, há cadeiras, mesas, brinquedos. Vê-se muitas portas e janelas abertas, permitindo ao passante visualisar um pouco do que se passa dentro da casa.
Percebe-se no bairro que há muita auto-construção, vemos casas em diversos estágios de construção, além de betoneiras nos quintais. Ao contrário da maioria das favelas, onde predomina a "laje", aonde se estabelecerá os puxadinhos, ali se vê muito o telhado cerâmico, duas águas principalmente.
No dia da visita, um sábado, foram vistas muitas pessoas na rua. Grupos de jovens conversando, adultos, idosos, meninas, mães com filhos... Também foi notado o uso da bicicleta como meio de locomoção por muitas pessoas.
O bairro dispõe de posto de saúde e de diversos pequenos comércios e serviços.
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Cultura x Profissionais
Alguns questionamentos me vieram à mente esses dias. Há vários casos de projetos, tanto arquitetônicos quanto urbanos, elaborados por profissionais, que se mostraram ser inadequados à cultura local. Temos vários exemplos do modernismo que precisaram ser demolidos, tamanho foi o estado de depreciação a que chegaram os mesmos.
Há também diversos livros que falam sobre as "maravilhas" feitas pela cultura, pelas pessoas sem a interferência desses profissionais. Aí eu, que estudo para me tornar uma profissional na área, me questiono: "Se o que as pessoas fazem por si mesmas é melhor, eu estou estudando para fazer o que?"
Porque, o que parece, é que os arquitetos e os urbanistas tem é que tomar muito cuidado para não destruir o que as pessoas construíram por si mesmas. Mas será que não há mérito no trabalho feito? Será que o melhor que fazemos é não destruir, não conseguimos propor algo melhor?
Mas ao ver o número de tragédias recentes (e outras nem tanto) que poderiam ter sido evitadas pelo nosso trabalho, vejo que podemos ser úteis. No caso específico desse trabalho, se a população por si tivesse a melhor solução, não haveriam tantas casas que sofrem com enchentes frequentemente, por exemplo.
Assim, creio que, como sempre, tudo deve ser feito com moderação. Um profissional tem conhecimentos que a maioria da população leiga não tem. A população, por sua vez, deve sempre ter sua participação, uma vez que é ela que vai utilizar o local. Assim, aliando o conhecimento profissional com a cultura popular, creio que se chega a melhor solução.
Porque, o que parece, é que os arquitetos e os urbanistas tem é que tomar muito cuidado para não destruir o que as pessoas construíram por si mesmas. Mas será que não há mérito no trabalho feito? Será que o melhor que fazemos é não destruir, não conseguimos propor algo melhor?
Mas ao ver o número de tragédias recentes (e outras nem tanto) que poderiam ter sido evitadas pelo nosso trabalho, vejo que podemos ser úteis. No caso específico desse trabalho, se a população por si tivesse a melhor solução, não haveriam tantas casas que sofrem com enchentes frequentemente, por exemplo.
Assim, creio que, como sempre, tudo deve ser feito com moderação. Um profissional tem conhecimentos que a maioria da população leiga não tem. A população, por sua vez, deve sempre ter sua participação, uma vez que é ela que vai utilizar o local. Assim, aliando o conhecimento profissional com a cultura popular, creio que se chega a melhor solução.
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Apresentação do tema
No site abaixo, disponível minha apresentação do tema do meu tcc.
http://prezi.com/pvbvzetjsd9y/tcc-bruna/
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Monday, April 5, 2010
Construção e apropriação
Um dos problemas na produção de habitação popular em larga escala é o processo utilizado. A distância entre as realidades daqueles que projetam e daqueles que recebem a obra geram diversos problemas. As diferentes prioridades, além do conceito pré-formado daqueles que projetam a respeito do que deve ser uma casa e do que é melhor para a comunidade resulta em obras como vemos em diversas situações, que não tem grande aceitação por parte da população.
Há aspectos que não podem ser desconsiderados quando no desenvolvimento de habitações para a comunidade, como por exemplo, a cultura da população. Como no caso do Catumbi, onde ruas foram em parte demolidas para a implantação de um viaduto, (estudado a fundo no livro "Quando a rua vira casa" de Carlos Nelson) qualquer alteração no espaço altera a maneira como as pessoas veêm e utilizam o mesmo. Essa cultura é específica de cada lugar, e afeta a vida e o dia-a-dia de cada um.
Fora a configuração urbana de cada espaço, há a forma de habitar, a casa em si. Em cada lugar, o conceito de 'casa' acaba se modificando, e as prioridades estabelecidas também. As habitações populares acabam sendo muito caras para a população a que se destinam por serem pensadas por pessoas de outra classe a partir do seu próprio conceito do que é uma habitação. Parece que na maioria das situações, se os próprios habitantes escolhessem eles investiriam o dinheiro de maneira diferente.
Outro aspecto é a relação do morador com a obra e construção. Se ele recebe a habitação pronta, sem ter tido qualquer participação na elaboração de seu projeto ou sua construção, é bem maior a probabilidade de ele se sentir alheio à mesma. Além disso, ela pode não se adequar ao seu estilo de vida. Nessa situação, já não havendo, de início, uma aceitação da obra, quando aparecer qualquer problema na construção em si, uma rachadura por exemplo, aumentará ainda mais a sua insatisfação com a casa e com o grupo que a desenvolveu e construiu. Quando a obra foi financiada e o morador deve fazer pagamentos, aumenta-se a chance de que esses pagamentos não sejam mais feitos. Quando o caso é de uma auto-construção, mesmo os problemas que aparecem são encarados de maneira mais complacente, uma vez que a construção foi feita por eles mesmos. O desenvolvimento do projeto em conjunto com os moradores também aumenta a aceitação do mesmo, assim como sua apropriação.
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