Thursday, October 14, 2010

Cheios e Vazios - estudo de projeto

Para não destoar muito da estrutura do bairro, uma das características analisadas foram os "cheios e vazios". Apesar de se propor uma mudança e melhoria, se procurou manter de alguma maneira o grão e a forma de implantação existente no bairro, procurando mesclar a nova inserção ao existente e não destoar da cultura do bairro.
Analisando o bairro como um todo temos:Podemos observar o desenho das ruas leste-oeste devido ao relativo alinhamento das casas. Numa aproximação de uma área "padrão" observamos mais aproximadamente:
Aqui já podemos observar o grão em que se desenvolve a ocupação, não destoando em toda a área de estudo. Esses grãos são de certa maneira agrupados pela sua proximidade nos fundos do lote, formando um certo padrão. Abaixo pode-se ver um estudo simplificado feito com base na matriz acima.
Aqui coloca-se em evidência esse vai-e-vem das fachadas em relação ao seu alinhamento. Esse desenho recortado se replica por toda a área, formando pequenos grupos próximos uns aos outros e que em certos momentos se abre em espaços vazios. Atualmente esses espaços vazios são apenas um conjunto de lotes vazios, mas propõe-se que eles existam em forma de pequenas áreas verdes de lazer, suprindo a grande falta de áreas de lazer da comunidade.

Esse grão e desenho serviu de inpiração para o desenvolvimento dos estudos do objeto arquitetônico.

Análise e Diretrizes de Projeto

Após a análise de todos esses aspectos da tapera, chega-se a proposta já apresentada. Obtemos uma área própria para adensamento, onde não ocorrem alagamentos, a declividade é favorável e já não há mais vegetação, muito menos nativa[1]. Há também a área onde se é passível manter a densidade atual, mas já estabelecendo uma tipologia adequada para futuras ocupações e reformas de modo a evitar problemas com eventuais alagamentos devido à cota. Para a área situada abaixo de 2m de altura do nível do mar recomenda-se a desocupação com relocação da população para a área passível de adensamento. Essa área deve permanecer desocupada, permitindo ao mar fazer seu "respiro" natural por sobre o mangue. Eventuais usos que não sejam comprometidos ou compromentam esse respiro podem ser implantados[2].
A área da tapera é uma área que viu sua população crescer rapidamente nos últimos anos. Se já haviam motivos para tal, agora, com a implantação do novo terminal do aeroporto, muito maior e mais próximo do bairro, ainda mais. Tal empreendimento gerará muitos empregos, possibilitando à população trabalhar mais próximo de sua residência; atrairá ainda mais pessoas para ali habitarem, devido a esses mesmos empregos, diretos e indiretos; facilitará o acesso ao bairro, devido às obras de acesso ao aeroporto; aumentará o valor das propriedades e terrenos do local, etc.. com tudo isso em vista, se torna necessário e urgente um planejamento para a área resolvendo os problemas já existentes e prevenindo futuros. Além disso, prever moradias adequadas e uma melhor forma de ocupação para o bairro também ajuda[3]. Para isso e devido a todos os fatores já apresentados, propõe-se habitação de interesse social para a área - para atender àqueles em situação precária e que deveriam ser relocados e já estabelecer um modelo para aqueles que virão.
O terreno localiza-se numa área interessante, às margens da Rod. Açoriana, via de acesso ao bairro, esquina com uma das ruas mais antigas e importantes do bairro, a "barreira", onde fica localizado o posto de saúde e boa parte dos comércios e serviços da região. Do outro lado da Rod. Açoriana, propõe-se uma área de preservação com equipamentos de lazer para a população. Antes de ser um contraponto à preservação, o projeto busca servir de elo entre a cidade e a natureza, sendo uma mescla das duas, colocando-as em harmonia. Além de incorporar a natureza no projeto de modo efetivo através dos terraços jardins; de aproveitar os recursos, projetando para maximização da insolação e ventilação natural, o projeto busca minimizar os efeitos da ocupação humana: busca-se dar destino adequado ao "esgoto" - diminuindo sua quantidade e tratando-o, diminuir o gasto de energia elétrica para iluminação e climatização, utilizar os materiais mais adequados e de menor impacto para a construção, dar flexibilidade aos moradores para uma maior durabilidade e funcionalidade da construção.
[1] Dando prioridade a uma área já sem vegetação previne-se o desmatamento de outra, evitando perdas ecológicas.
[2] Por exemplo: equipamentos de lazer que não sofram danos ao serem alagados, estruturas de uso público elevadas do solo, etc.
[3] A expansão do bairro nos últimos anos não foi adequada, ocupando áreas alagadiças. Orientar a ocupação para que problemas como esse mencionado sejam evitados é crucial. Se um estudo tivesse sido feito há 15 ou 20 anos atrás a maior parte desse problema poderia ter sido evitado.

Tuesday, October 5, 2010

Mapas análise Tapera

Utilizando o método de Raquel Tardin de planejamento do território com base nos espaços livres, os seguintes mapas foram gerados para a área da Tapera (clique nas imagens para ampliá-las e obter melhor definição):
Vegetação, marcando as áreas vegetadas da área, diferenciando entre as mais preservadas e as menos preservadas. As áreas mais preservadas têm preferência sobre as outras para serem preservadas a longo prazo:
Hidrologia, marcando as áreas críticas com relação a inundação (entre 0 e 2 metros), aquelas suscetíveis(2-4) e aquelas sem problema algum quanto a isso (>4 metros). As áreas críticas não devem ser ocupadas, as suscetíveis devem adotar tipologias específicas. As idôneas podem ser ocupadas, podendo inclusive receber uma maior densidade.
Declividade, mostrando as áreas com declividades proibitivas para ocupação. As áreas com declividade alta devem ser preservadas, evitando desmoronamentos, deslizamentos, etc.
Marcos cênicos, mostram as áreas marcantes no cenário e paisagem da Tapera, além de marcos históricos, que devem ser preservados.
Proposta, devido as análises feitas, sendo as principais mostradas acima, a seguinte proposta de ocupação foi feita.