Para ver fotos da visita à Tapera, veja a apresentação em http://prezi.com/pvbvzetjsd9y/tcc-bruna/
Algumas coisas que observei no bairro em estudo, a Tapera:
Apesar de ser uma ocupação ilegal, o bairro não apresenta o aspecto de favela. Situa-se numa área plana, e, ao invés de casas apinhadas, vemos uma configuração mais parecida com um bairro do que uma favela. Temos ruas estreitas, mas as casas são estabelecidas soltas no lote, sendo eles demarcados por cercas e muros. A grande maioria das casas são construídas com afastamento entre o muro e a mesma, criando uma área intermediária entre o público e o privado. Nesse mesmo espaço há o estabelecimento de varandas laterais ou frontais, que têm um uso social, há cadeiras, mesas, brinquedos. Vê-se muitas portas e janelas abertas, permitindo ao passante visualisar um pouco do que se passa dentro da casa.
Percebe-se no bairro que há muita auto-construção, vemos casas em diversos estágios de construção, além de betoneiras nos quintais. Ao contrário da maioria das favelas, onde predomina a "laje", aonde se estabelecerá os puxadinhos, ali se vê muito o telhado cerâmico, duas águas principalmente.
No dia da visita, um sábado, foram vistas muitas pessoas na rua. Grupos de jovens conversando, adultos, idosos, meninas, mães com filhos... Também foi notado o uso da bicicleta como meio de locomoção por muitas pessoas.
O bairro dispõe de posto de saúde e de diversos pequenos comércios e serviços.
Buscando uma arquitetura mais sustentável, saudável e bonita para uma vida melhor.
Sunday, April 25, 2010
Cultura x Profissionais
Alguns questionamentos me vieram à mente esses dias. Há vários casos de projetos, tanto arquitetônicos quanto urbanos, elaborados por profissionais, que se mostraram ser inadequados à cultura local. Temos vários exemplos do modernismo que precisaram ser demolidos, tamanho foi o estado de depreciação a que chegaram os mesmos.
Há também diversos livros que falam sobre as "maravilhas" feitas pela cultura, pelas pessoas sem a interferência desses profissionais. Aí eu, que estudo para me tornar uma profissional na área, me questiono: "Se o que as pessoas fazem por si mesmas é melhor, eu estou estudando para fazer o que?"
Porque, o que parece, é que os arquitetos e os urbanistas tem é que tomar muito cuidado para não destruir o que as pessoas construíram por si mesmas. Mas será que não há mérito no trabalho feito? Será que o melhor que fazemos é não destruir, não conseguimos propor algo melhor?
Mas ao ver o número de tragédias recentes (e outras nem tanto) que poderiam ter sido evitadas pelo nosso trabalho, vejo que podemos ser úteis. No caso específico desse trabalho, se a população por si tivesse a melhor solução, não haveriam tantas casas que sofrem com enchentes frequentemente, por exemplo.
Assim, creio que, como sempre, tudo deve ser feito com moderação. Um profissional tem conhecimentos que a maioria da população leiga não tem. A população, por sua vez, deve sempre ter sua participação, uma vez que é ela que vai utilizar o local. Assim, aliando o conhecimento profissional com a cultura popular, creio que se chega a melhor solução.
Porque, o que parece, é que os arquitetos e os urbanistas tem é que tomar muito cuidado para não destruir o que as pessoas construíram por si mesmas. Mas será que não há mérito no trabalho feito? Será que o melhor que fazemos é não destruir, não conseguimos propor algo melhor?
Mas ao ver o número de tragédias recentes (e outras nem tanto) que poderiam ter sido evitadas pelo nosso trabalho, vejo que podemos ser úteis. No caso específico desse trabalho, se a população por si tivesse a melhor solução, não haveriam tantas casas que sofrem com enchentes frequentemente, por exemplo.
Assim, creio que, como sempre, tudo deve ser feito com moderação. Um profissional tem conhecimentos que a maioria da população leiga não tem. A população, por sua vez, deve sempre ter sua participação, uma vez que é ela que vai utilizar o local. Assim, aliando o conhecimento profissional com a cultura popular, creio que se chega a melhor solução.
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Apresentação do tema
No site abaixo, disponível minha apresentação do tema do meu tcc.
http://prezi.com/pvbvzetjsd9y/tcc-bruna/
http://prezi.com/pvbvzetjsd9y/tcc-bruna/
Monday, April 5, 2010
Construção e apropriação
Um dos problemas na produção de habitação popular em larga escala é o processo utilizado. A distância entre as realidades daqueles que projetam e daqueles que recebem a obra geram diversos problemas. As diferentes prioridades, além do conceito pré-formado daqueles que projetam a respeito do que deve ser uma casa e do que é melhor para a comunidade resulta em obras como vemos em diversas situações, que não tem grande aceitação por parte da população.
Há aspectos que não podem ser desconsiderados quando no desenvolvimento de habitações para a comunidade, como por exemplo, a cultura da população. Como no caso do Catumbi, onde ruas foram em parte demolidas para a implantação de um viaduto, (estudado a fundo no livro "Quando a rua vira casa" de Carlos Nelson) qualquer alteração no espaço altera a maneira como as pessoas veêm e utilizam o mesmo. Essa cultura é específica de cada lugar, e afeta a vida e o dia-a-dia de cada um.
Fora a configuração urbana de cada espaço, há a forma de habitar, a casa em si. Em cada lugar, o conceito de 'casa' acaba se modificando, e as prioridades estabelecidas também. As habitações populares acabam sendo muito caras para a população a que se destinam por serem pensadas por pessoas de outra classe a partir do seu próprio conceito do que é uma habitação. Parece que na maioria das situações, se os próprios habitantes escolhessem eles investiriam o dinheiro de maneira diferente.
Outro aspecto é a relação do morador com a obra e construção. Se ele recebe a habitação pronta, sem ter tido qualquer participação na elaboração de seu projeto ou sua construção, é bem maior a probabilidade de ele se sentir alheio à mesma. Além disso, ela pode não se adequar ao seu estilo de vida. Nessa situação, já não havendo, de início, uma aceitação da obra, quando aparecer qualquer problema na construção em si, uma rachadura por exemplo, aumentará ainda mais a sua insatisfação com a casa e com o grupo que a desenvolveu e construiu. Quando a obra foi financiada e o morador deve fazer pagamentos, aumenta-se a chance de que esses pagamentos não sejam mais feitos. Quando o caso é de uma auto-construção, mesmo os problemas que aparecem são encarados de maneira mais complacente, uma vez que a construção foi feita por eles mesmos. O desenvolvimento do projeto em conjunto com os moradores também aumenta a aceitação do mesmo, assim como sua apropriação.
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