Thursday, October 14, 2010

Cheios e Vazios - estudo de projeto

Para não destoar muito da estrutura do bairro, uma das características analisadas foram os "cheios e vazios". Apesar de se propor uma mudança e melhoria, se procurou manter de alguma maneira o grão e a forma de implantação existente no bairro, procurando mesclar a nova inserção ao existente e não destoar da cultura do bairro.
Analisando o bairro como um todo temos:Podemos observar o desenho das ruas leste-oeste devido ao relativo alinhamento das casas. Numa aproximação de uma área "padrão" observamos mais aproximadamente:
Aqui já podemos observar o grão em que se desenvolve a ocupação, não destoando em toda a área de estudo. Esses grãos são de certa maneira agrupados pela sua proximidade nos fundos do lote, formando um certo padrão. Abaixo pode-se ver um estudo simplificado feito com base na matriz acima.
Aqui coloca-se em evidência esse vai-e-vem das fachadas em relação ao seu alinhamento. Esse desenho recortado se replica por toda a área, formando pequenos grupos próximos uns aos outros e que em certos momentos se abre em espaços vazios. Atualmente esses espaços vazios são apenas um conjunto de lotes vazios, mas propõe-se que eles existam em forma de pequenas áreas verdes de lazer, suprindo a grande falta de áreas de lazer da comunidade.

Esse grão e desenho serviu de inpiração para o desenvolvimento dos estudos do objeto arquitetônico.

Análise e Diretrizes de Projeto

Após a análise de todos esses aspectos da tapera, chega-se a proposta já apresentada. Obtemos uma área própria para adensamento, onde não ocorrem alagamentos, a declividade é favorável e já não há mais vegetação, muito menos nativa[1]. Há também a área onde se é passível manter a densidade atual, mas já estabelecendo uma tipologia adequada para futuras ocupações e reformas de modo a evitar problemas com eventuais alagamentos devido à cota. Para a área situada abaixo de 2m de altura do nível do mar recomenda-se a desocupação com relocação da população para a área passível de adensamento. Essa área deve permanecer desocupada, permitindo ao mar fazer seu "respiro" natural por sobre o mangue. Eventuais usos que não sejam comprometidos ou compromentam esse respiro podem ser implantados[2].
A área da tapera é uma área que viu sua população crescer rapidamente nos últimos anos. Se já haviam motivos para tal, agora, com a implantação do novo terminal do aeroporto, muito maior e mais próximo do bairro, ainda mais. Tal empreendimento gerará muitos empregos, possibilitando à população trabalhar mais próximo de sua residência; atrairá ainda mais pessoas para ali habitarem, devido a esses mesmos empregos, diretos e indiretos; facilitará o acesso ao bairro, devido às obras de acesso ao aeroporto; aumentará o valor das propriedades e terrenos do local, etc.. com tudo isso em vista, se torna necessário e urgente um planejamento para a área resolvendo os problemas já existentes e prevenindo futuros. Além disso, prever moradias adequadas e uma melhor forma de ocupação para o bairro também ajuda[3]. Para isso e devido a todos os fatores já apresentados, propõe-se habitação de interesse social para a área - para atender àqueles em situação precária e que deveriam ser relocados e já estabelecer um modelo para aqueles que virão.
O terreno localiza-se numa área interessante, às margens da Rod. Açoriana, via de acesso ao bairro, esquina com uma das ruas mais antigas e importantes do bairro, a "barreira", onde fica localizado o posto de saúde e boa parte dos comércios e serviços da região. Do outro lado da Rod. Açoriana, propõe-se uma área de preservação com equipamentos de lazer para a população. Antes de ser um contraponto à preservação, o projeto busca servir de elo entre a cidade e a natureza, sendo uma mescla das duas, colocando-as em harmonia. Além de incorporar a natureza no projeto de modo efetivo através dos terraços jardins; de aproveitar os recursos, projetando para maximização da insolação e ventilação natural, o projeto busca minimizar os efeitos da ocupação humana: busca-se dar destino adequado ao "esgoto" - diminuindo sua quantidade e tratando-o, diminuir o gasto de energia elétrica para iluminação e climatização, utilizar os materiais mais adequados e de menor impacto para a construção, dar flexibilidade aos moradores para uma maior durabilidade e funcionalidade da construção.
[1] Dando prioridade a uma área já sem vegetação previne-se o desmatamento de outra, evitando perdas ecológicas.
[2] Por exemplo: equipamentos de lazer que não sofram danos ao serem alagados, estruturas de uso público elevadas do solo, etc.
[3] A expansão do bairro nos últimos anos não foi adequada, ocupando áreas alagadiças. Orientar a ocupação para que problemas como esse mencionado sejam evitados é crucial. Se um estudo tivesse sido feito há 15 ou 20 anos atrás a maior parte desse problema poderia ter sido evitado.

Tuesday, October 5, 2010

Mapas análise Tapera

Utilizando o método de Raquel Tardin de planejamento do território com base nos espaços livres, os seguintes mapas foram gerados para a área da Tapera (clique nas imagens para ampliá-las e obter melhor definição):
Vegetação, marcando as áreas vegetadas da área, diferenciando entre as mais preservadas e as menos preservadas. As áreas mais preservadas têm preferência sobre as outras para serem preservadas a longo prazo:
Hidrologia, marcando as áreas críticas com relação a inundação (entre 0 e 2 metros), aquelas suscetíveis(2-4) e aquelas sem problema algum quanto a isso (>4 metros). As áreas críticas não devem ser ocupadas, as suscetíveis devem adotar tipologias específicas. As idôneas podem ser ocupadas, podendo inclusive receber uma maior densidade.
Declividade, mostrando as áreas com declividades proibitivas para ocupação. As áreas com declividade alta devem ser preservadas, evitando desmoronamentos, deslizamentos, etc.
Marcos cênicos, mostram as áreas marcantes no cenário e paisagem da Tapera, além de marcos históricos, que devem ser preservados.
Proposta, devido as análises feitas, sendo as principais mostradas acima, a seguinte proposta de ocupação foi feita.



Tuesday, September 28, 2010

Criando a forma

Como quesitos principais para obtenção da forma final, os seguintes preceitos e referências foram utilizados:
1 - Capacidade de expansão do apartamento - Mesmo buscando uma maior densidade, quero manter a possibilidade do morador expandir sua moradia facilmente, fato normalmente só possível em casas isoladas no lote ou geminadas.
2 - Boa iluminação e ventilação - o prédio será pensado para que, com ou sem expansões, os ambientes contem com boa iluminação e ventilação.
3 - Sistema construtivo - busca-se um sistema construtivo de baixo impacto ambiental, acessível e de manuseio conhecido pela população
4 - Estética - baseada no "caos organizado" do bairro a estética lida com uma variação de alinhamento e pequenos respiros no ritmo - movimentos que podem ser observados no mapa de cheios e vazios do bairro.
5 - Sistemas - Serão instalados sistemas que buscam uma melhor sustentabilidade para o conjunto no bairro: banheiro seco, tratamento de esgoto, captura de água da chuva, aquecimento solar de água, iluminação natural em todos os ambientes possíveis, ventilação cruzada na maior parte dos ambientes
6 - Jardins de chuva - Visto que o bairro sofre frequentemente com alagamentos, pretende-se incorporar ao projeto jardins que auxiliem no retardamento do escoamento da água da chuva, tanto terraços-jardins como terraços térreos.
7 - Área aberta para todos os apartamentos - outro aspecto que pretende-se manter, buscando uma maior conexão com a natureza e uma maior proximidade ao estilo de vida de um morador de casa. Jardins térreos para os apartamentos térreos e terraços jardins para os moradores dos outros andares.
8 - Serviços - Uma idéia que poderá ser implementada é a incorporação de serviços públicos no terreno, assim como pequenos comércios que favoreçam a permanência da população na área ao longo do dia.
Referências: obras arquitetônicas do Hundertwasser, Elemental Chile, etc.

Tuesday, September 14, 2010

Impressão "final" da Tapera

Após diversas visitas à Tapera e conversa com os líderes do centro comunitário, percebe-se que falar sobre projeto sustentável no bairro tratando-se apenas da edificação em si seria um tanto incoerente. Um bairro distante do centro, não tanto pela sua posição física, mas mais pela sua condição de acessibilidade – dificultada pelas estradas de acesso e por estar circundado por grandes extensões de terra institucionais -, também sofre com a invisibilidade, que ocorre devido ao fato de ninguém “passar” pela Tapera para chegar a lugar algum, nem haver nenhum grande atrativo para que se vá até lá. A praia é pequena e poluída, não consegue nem atender à população local; não há nenhum serviço público que atraia população de outros bairros, os moradores do bairro que tem que se deslocar aos outros bairros para suprir diversas das suas necessidades; as escolas não conseguem suprir nem a demanda local, quem dirá atrair moradores de outros bairros.

Foi inicialmente moradia de índios carijós, mas seu desaparecimento do local deu nome ao bairro (tapera significa casa abandonada). Após os índios, a ocupação começou por volta dos anos 70 na região da praia e na estrada que leva à entrada da base, no trecho entre a base e a ”rua da praia”, e era principalmente de nativos, porém a ocupação da maior parte da Tapera se deu principalmente nas últimas duas décadas, começando na parte alta e indo na direção da atual “Rua do Juca”. Na região da rua conhecida como “barreira” havia um grande monte de barro (por isso o nome do local), que foi desmanchado na sua maior parte, tendo sido muito desse barro utilizado para aterrar a parte mais baixa do bairro, que originalmente era mangue, fato que causa ainda hoje alagamentos ocasionais nessa região. A ocupação ocorrida nos últimos 20 anos já tem um caráter diferente daquela inicial, há muitas pessoas de outras regiões do estado e inclusive do país. O bairro da Tapera teve então uma consolidação recente, com uma comunidade diversa e vive em constante mudança – segundo os líderes do conselho comunitário: “toda semana tem gente entrando e tem gente saindo (de mudança)”.

Outro lado da Tapera são suas belezas naturais. O bairro tem uma grande área de mangue preservada, acidentes físicos que marcam o cenário, além de uma praia de baía, que apesar de ter águas impróprias para banho, é muito utilizada pela população e tem um cenário lindo e marcante, com duas ilhotas (das cabras e Dona Francisca) na sua frente. Devido a sua beleza, a Tapera também tem uma área com casas turísticas, de veraneio, de uma classe social mais elevada. Essa ocupação se dá numa área mais isolada do bairro, mas sua forma de implantação fecha o acesso à praia para outras pessoas, conformando, de certa maneira, uma praia privada. O bairro conta também com uma pequena população de pescadores que tem seus ranchos à beira mar. Ali também é feito o extrativismo de mariscos e similares.

É algo compatível com essa população tão diversa que procuro. Quero tirar partido da “bagunça” que acabou se formando devido a essa ocupação desordenada para projetar algo bastante humano. Também quero projetar algo que respeite o ecossistema local, agindo de forma cíclica com o mesmo.

Sunday, June 27, 2010

Proposta

A proposta do TCC é desenvolver habitação popular sustentável na Tapera. Embora o foco seja na arquitetura do projeto, as questões do bairro foram estudadas e diversas propostas serão feitas concernentes ao bairro como um todo, buscando dar melhor qualidade de vida a todos e deixando o bairro em maior harmonia com a natureza.
Das áreas alagáveis será removida parte da população, dando um novo tratamento à área, com uma grande área permeável que permita a movimentação natural da água que existe(existia) no local, e evitando que as casas que permanecem alaguem.
Propõe-se também a abertura de outras ruas no sentido Norte-Sul, melhorando as conexões dentro do bairro.
Busca-se também o estabelecimento de um centro para o bairro, cujo local ainda não foi definido.
É proposto também um parque linear na porção sul do bairro, que servirá de respiro e transição entre o bairro atual e o loteamento que ali será implantado. Esse parque seria possível devido ao fato de o proprietário ser obrigado a destinar áreas públicas e verdes à população. Nessa área propõe-se um espaço para festas comunitárias, campinhos de futebol, quadras poliesportivas, quiosques para churrasqueiras, academia da terceira idade além de pista para caminhada e ciclovia, que também se estenderiam pela atual rua do juca e rua dos pardais (que receberiam um alargamento para o respiro da maré, como descrito acima), e fecharia o ciclo através de uma das novas ruas Norte-Sul no meio do bairro.
Outra proposta seria a mudança dos limites da Base aérea, uma vez que atualmente a escola e a igreja histórica do bairro encontram-se dentro desses limites. Além desses equipamentos há também o acesso à praia naquele trecho, liberando mais uma área de lazer.
Quanto ao CEFA, propõe-se uma parceria entre celesc e prefeitura, dividindos os custos de manutenção e permitindo o uso do local pela população.

Para quem

O projeto desenvolvido pela secretaria de habitação é destinado a abrigar pessoas que sofreram com as enxurradas de 2008 e 2009. No meu projeto, além dessa população, parte das moradias serão destinadas aos moradores do bairro que se encontram em situação de risco. Há um grande número de pessoas que atualmente ocupam uma área que sofre periodicamente com enchentes, que devido ao lançamento dos esgotos in natura no rio e às valas de esgoto à céu aberto, são grandes causadoras de doenças.
Essa população a que se destina o projeto são então, pessoas que viveram em situação precária até o momento, muito provavelmente por falta de opção.
Entre os objetivos do projeto pretende-se fomentar a integração dessas pessoas com o bairro, além de prover oportunidades de geração de renda.
Devido às situações que sofreram, uma das coisas que o projeto deve proporcionar é segurança, de preferência de maneira bem aparente, para afetar não somente a qualidade de vida do ponto físico, mas também do ponto de vista psicológico.
Outra característica da população vinda do próprio bairro da Tapera (segundo a agente de saúde Rose) é ser uma população bem jovem. Muitas crianças e jovens adultos, pouquíssimos idosos. Isso também deve ser considerado no projeto, destinando áreas específicas para o desenvolvimento saudável dessas crianças.

Saturday, June 26, 2010

Apresentação

Para imagens da área, um pouco dos conceitos e etc, veja também:
http://prezi.com/pvbvzetjsd9y/tcc-bruna/

Onde - Versão 2

O local escolhido para o projeto foi um terreno da Tapera, visto que a secretaria de habitação está no momento desenvolvendo um projeto para a área.
A Tapera teve o início da sua ocupação por volta dos anos 70, havendo um boom de expansão levando à ocupação como se observa atualmente entre os anos 70 e 94 (como pode ser observado nas ortofotocartas da Ilha de Santa Catarina). Segundo a agente de saúde do bairro, dona Rose, grande parte dessa ocupação se deu pelas pessoas atraídas para a Ilha para trabalhar na construção civil durante o boom da região Norte da mesma.
O bairro atualmente se encontra desconectado do restante da Ilha, sendo cercado na porção Oeste, Norte e Leste por instituições (FAB, FAB e UFSC e CEFA (Centro de treinamento da Celesc), o que dificulta o acesso do bairro ao centro e aos bairros vizinhos. Por isso ele acaba sendo invísivel paraa grande maioria da população da cidade, que não o vê a não ser que se dirija especificamente a ele.
Por outro lado, a grande população do bairro (cuja estimativa da agente de saúde diz ser de 20mil habitantes) e o grande número de votos da mesma a torna alvo de campanha durante o período eleitoral, quando a mesma houve muitas promessas que acabarão por não serem cumpridas, uma vez que as obras feitas lá não são vistas pelo restante da população e não trazem mais votos.
A área ocupada pelo bairro é de aproximadamente 1,1km², e sua ocupação iniciou pela parte mais alta do mesmo. Nessa região encontra-se a população mais antiga, o maior número de manezinhos e as casas de um padrão melhor (fonte: observações e comentários de pessoas do bairro). A rua norte-sul que se encontra nesse ponto é conhecida como barreira, devido ao antigo monte de barro que ali se encontrava e que foi utilizado em grande parte para o aterro da parte mais baixa do bairro, onde a população mais recente foi se estabelecendo. Essa parte mais baixa sofre sérios problemas devido às cotas baixas, os alagamentos são frequentes. A rua norte-sul que se encontra nessa área é conhecida como rua do juca, onde havia um rio que se tornou o local para despejo dos dejetos, e há um ano foi canalizado e coberto no trecho com ocupação, se tornando uma larga calçada. Embora isso tenha auxiliado na redução dos alagamentos, segundo moradores a canalização do mesmo aumentou seu nível impedindo que o esgoto "desça".
Essas duas ruas norte-sul mencionadas são onde se encontra a maior parte dos comércios e serviços do bairro, sendo, consequentemente as mais movimentadas do bairro.
Os serviços oferecidos no bairro são insuficientes para o tamanho da população do mesmo. Há apenas um posto de saúde, com poucos recursos, faltam vagas em creches, e há apenas um colégio.
Há também no bairro uma espécie de "praia privatizada", num trecho onde as casas acabam por impedir o acesso de terceiros à praia. Essas casa são de veraneio e de uma classe de renda mais elevada. Para a população em geral o acesso à praia se dá por apenas uma rua, e a praia a que se tem acesso é bem pequena. Essa pequena praia é a única área de lazer do bairro, que já não tem áreas públicas, muito menos verdes e/ou de lazer.
O terreno de implantação do projeto se encontra num local com cota mais alta (alta para o geral do bairro), próximo à "barreira", não sendo inundável.

Sunday, April 25, 2010

Visitando a Tapera

Para ver fotos da visita à Tapera, veja a apresentação em http://prezi.com/pvbvzetjsd9y/tcc-bruna/
Algumas coisas que observei no bairro em estudo, a Tapera:
Apesar de ser uma ocupação ilegal, o bairro não apresenta o aspecto de favela. Situa-se numa área plana, e, ao invés de casas apinhadas, vemos uma configuração mais parecida com um bairro do que uma favela. Temos ruas estreitas, mas as casas são estabelecidas soltas no lote, sendo eles demarcados por cercas e muros. A grande maioria das casas são construídas com afastamento entre o muro e a mesma, criando uma área intermediária entre o público e o privado. Nesse mesmo espaço há o estabelecimento de varandas laterais ou frontais, que têm um uso social, há cadeiras, mesas, brinquedos. Vê-se muitas portas e janelas abertas, permitindo ao passante visualisar um pouco do que se passa dentro da casa.
Percebe-se no bairro que há muita auto-construção, vemos casas em diversos estágios de construção, além de betoneiras nos quintais. Ao contrário da maioria das favelas, onde predomina a "laje", aonde se estabelecerá os puxadinhos, ali se vê muito o telhado cerâmico, duas águas principalmente.
No dia da visita, um sábado, foram vistas muitas pessoas na rua. Grupos de jovens conversando, adultos, idosos, meninas, mães com filhos... Também foi notado o uso da bicicleta como meio de locomoção por muitas pessoas.
O bairro dispõe de posto de saúde e de diversos pequenos comércios e serviços.

Cultura x Profissionais

Alguns questionamentos me vieram à mente esses dias. Há vários casos de projetos, tanto arquitetônicos quanto urbanos, elaborados por profissionais, que se mostraram ser inadequados à cultura local. Temos vários exemplos do modernismo que precisaram ser demolidos, tamanho foi o estado de depreciação a que chegaram os mesmos.
Há também diversos livros que falam sobre as "maravilhas" feitas pela cultura, pelas pessoas sem a interferência desses profissionais. Aí eu, que estudo para me tornar uma profissional na área, me questiono: "Se o que as pessoas fazem por si mesmas é melhor, eu estou estudando para fazer o que?"
Porque, o que parece, é que os arquitetos e os urbanistas tem é que tomar muito cuidado para não destruir o que as pessoas construíram por si mesmas. Mas será que não há mérito no trabalho feito? Será que o melhor que fazemos é não destruir, não conseguimos propor algo melhor?
Mas ao ver o número de tragédias recentes (e outras nem tanto) que poderiam ter sido evitadas pelo nosso trabalho, vejo que podemos ser úteis. No caso específico desse trabalho, se a população por si tivesse a melhor solução, não haveriam tantas casas que sofrem com enchentes frequentemente, por exemplo.
Assim, creio que, como sempre, tudo deve ser feito com moderação. Um profissional tem conhecimentos que a maioria da população leiga não tem. A população, por sua vez, deve sempre ter sua participação, uma vez que é ela que vai utilizar o local. Assim, aliando o conhecimento profissional com a cultura popular, creio que se chega a melhor solução.

Apresentação do tema

No site abaixo, disponível minha apresentação do tema do meu tcc.

http://prezi.com/pvbvzetjsd9y/tcc-bruna/

Monday, April 5, 2010

Construção e apropriação

Um dos problemas na produção de habitação popular em larga escala é o processo utilizado. A distância entre as realidades daqueles que projetam e daqueles que recebem a obra geram diversos problemas. As diferentes prioridades, além do conceito pré-formado daqueles que projetam a respeito do que deve ser uma casa e do que é melhor para a comunidade resulta em obras como vemos em diversas situações, que não tem grande aceitação por parte da população.
Há aspectos que não podem ser desconsiderados quando no desenvolvimento de habitações para a comunidade, como por exemplo, a cultura da população. Como no caso do Catumbi, onde ruas foram em parte demolidas para a implantação de um viaduto, (estudado a fundo no livro "Quando a rua vira casa" de Carlos Nelson) qualquer alteração no espaço altera a maneira como as pessoas veêm e utilizam o mesmo. Essa cultura é específica de cada lugar, e afeta a vida e o dia-a-dia de cada um.
Fora a configuração urbana de cada espaço, há a forma de habitar, a casa em si. Em cada lugar, o conceito de 'casa' acaba se modificando, e as prioridades estabelecidas também. As habitações populares acabam sendo muito caras para a população a que se destinam por serem pensadas por pessoas de outra classe a partir do seu próprio conceito do que é uma habitação. Parece que na maioria das situações, se os próprios habitantes escolhessem eles investiriam o dinheiro de maneira diferente.
Outro aspecto é a relação do morador com a obra e construção. Se ele recebe a habitação pronta, sem ter tido qualquer participação na elaboração de seu projeto ou sua construção, é bem maior a probabilidade de ele se sentir alheio à mesma. Além disso, ela pode não se adequar ao seu estilo de vida. Nessa situação, já não havendo, de início, uma aceitação da obra, quando aparecer qualquer problema na construção em si, uma rachadura por exemplo, aumentará ainda mais a sua insatisfação com a casa e com o grupo que a desenvolveu e construiu. Quando a obra foi financiada e o morador deve fazer pagamentos, aumenta-se a chance de que esses pagamentos não sejam mais feitos. Quando o caso é de uma auto-construção, mesmo os problemas que aparecem são encarados de maneira mais complacente, uma vez que a construção foi feita por eles mesmos. O desenvolvimento do projeto em conjunto com os moradores também aumenta a aceitação do mesmo, assim como sua apropriação.
Post em construção...

Tuesday, March 23, 2010

Mapas conceituais




Começando a organizar toda a informação que envolve o trabalho a ser desenvolvido, foi desenvolvido um mapa conceitual. Acima imagens do esboço inicial mostrando as diversas relações a serem consideradas nesse caso.
Clique nas imagens para ampliá-las. A roxa se desenvolve a partir do conceito "microclima "do mapa principal, enquanto a amarela é desenvolvida a partir de "Tapera" no mapa principal.

Fotos Aéreas Tapera

Foto demarcando o terreno no bairro.

1 - Principais questões sobre o projeto

O quê:
O projeto se propõe trabalhar com a questão da habitação, propondo alternativas mais sustentáveis e saudáveis, tanto para a população de baixa renda quanto para a classe média. Na formulação do projeto, levar em conta quesitos culturais, respeitar o local de inserção, projetar segundo princípios bioclimáticos e sem agredir o ecossistema local. Na escolha dos materiais, além das propriedades termoacústicas, buscar materiais com menor energia embutida, que sejam reutilizáveis e/ou recicláveis, que sejam atóxicos, que sejam de produção local, etc.

Construção bioclimática: Permacultura passo-a-passo, Building Green
Seleção de Materiais: Paradigma da Sustentabilidade, Building Green

Porquê:
Já sentimos na pele as atuais consequências do descaso de gerações com a natureza e o ecossistema. Alterações climáticas, mares de lixo, depleção de recursos naturais e extinção de espécies são fatos que assustam não mais apenas os ecologistas, mas a todos.
Por outro lado, no quesito social, temos uma enorme população que vive em condições insalubres, com moradias inadequadas, superlotadas e que não tem acesso ao mercado formal de moradias.
Abordando essas duas problemáticas, busca-se então a elaboração de um projeto que atenda a essa população, garantindo uma habitação de qualidade - arquitetônica, ambiental, de vida -, que respeite o meio ambiente em que está inserido, mantendo um baixo custo, permitindo o financiamento por parte do governo e o pagamento por parte da população.
O conjunto pretende englobar tanto a habitação para a população de baixa renda quanto para a classe média, de forma a diminuir a segregação espacial da população e para não estigmatizar algum material ou recurso mais sustentável como algo somente para a baixa renda.
Na parte social: Ermínia Maricato, cidades. Levantamentos da situação habitacional brasileira.
Na parte ambiental: Plan B 3.0


Para quem:
A população foco deste projeto em específico é a população da Tapera, bairro da cidade de Florianópolis originado por ocupação irregular. Assim como o bairro apresenta um grande espectro de renda, também o projeto pretende atender a essas diferentes realidades.
Para auxiliar na compreensão da cultura da população: A estética da ginga.

Sunday, March 21, 2010

A história das coisas

Abaixo um link para um interessante vídeo sobre "a história das coisas". Vale a pena assistir.

http://www.storyofstuff.org/international/

Sunday, March 14, 2010

Itens a se incorporar no projeto 1

  • Varandas - agem como buffer zones, auxiliando na manutenção de uma temperatura interna diferenciada da externa.
  • Temperatura do ar - em ambientes climáticos extremos, o ar pode ter sua temperatura alterada por métodos passivos antes de chegar no interior da edificação, facilitando a manutenção de uma temperatura agradável
  • Aquecimento da água - temos uma grande fonte de energia gratuita, o sol. Ele pode e deve ser utilizado para o aquecimento da água, sendo complementado por algum método de aquecimento localizado e instantâneo (ex. chuveiro elétrico com regulagem de potência).
  • Janelas altas - Com janelas altas, a iluminação natural consegue entrar mais nos ambientes internos, diminuindo o uso de iluminação artificial durante o dia.
  • Permeabilidade do solo - Manter a maior área do solo possível permeável. Diminuir as chances de alagamento.
  • Manutenção de áreas verdes (inclusive teto) - Áreas verdes ajudam na manutenção de um microclima mais agradável. Além de propiciarem sombra, refrescam o ambiente pelo processo de evapotranspiração. Um gramado mantém uma temperatura local muito mais agradável que uma área pavimentada.

Saturday, March 13, 2010

2 - Onde

Apesar da idéia inicial ter começado do que seria projetado, o projeto deve ser todo voltado para a área em questão. Partindo disso as questões à respeito da área e da população seriam:

1 - Qual a relação dessa área com a cidade? É um bairro dormitório? As pessoas passam o dia no bairro ou fora dele? Qual a forma de transporte? Há transporte público? Quais as condições do mesmo?
2 - Qual o ecossistema do local? Qual o clima e microclima? Qual a vegetação existente e/ou nativa?
3 - Qual o perfil da população? Qual o estilo de vida? Qual a renda familiar? Qual o perfil dos chefes de família?
4 - Como é a forma de moradia? Quantos cômodos na casa? Há coabitação (mais de uma família ou geração na mesma casa)? Há preferência por casa ou apartamento? Porquê?
5 - Qual a infra-estrutura disponível na área?
6 - Quais os projetos da cidade para área? Há planos que alterarão o perfil do local? Quais serão os impactos?
7 - Qual a forma de implantação da ocupação? Métodos construtivos? Há situações de risco? Como é feito o uso das edificações e dos terrenos?
8 - Como a população encara os projetos do governo para a área?

A partir dessas questões, deve-se considerar sobre o projeto:
1 - Como o projeto se relaciona com o terreno e com o ecossistema?
2 - Como ele aproveita os fatores do clima e do microclima?
3 - Como ele se insere no contexto do bairro e da cidade?
4 - Como ele responde ao estilo de vida da população?

...continua...

Bibliografia

  • Ermínia Maricato - "Brasil, cidades. Alternativas para a crise urbana"
Aborda a situação brasileira na questão de ocupação irregular, o que causou, quais os mecanismos legais para se contornar a situação da política atual.

  • Rosemary Morrow - "Permacultura passo-a-passo"
Apresenta os conceitos da permacultura - a permacultura propõe um estilo de vida que pensa na ocupação da terra de forma sustentável para que possa ser permanente. Aborda todos os aspectos relacionados às necessidades humanas de sobrevivência, desde o cultivo de alimentos, tratamento da água e dejetos até a construção e manutenção de uma habitação.

  • Tim Callahan e Clarke Snell. "Building Green - a complete how-to guide to alternative building methods: earth, plaster, strawbale, cordwood, cob, living roofs." Lark Books, NY. 2005.
Guia voltado para qualquer pessoa interessada em construir de maneira alternativa buscando uma construção mais sustentável. Aborda desde os princípios de construção bioclimática, até o passo-a-passo de cada material.

  • Paola Berenstein Jacques - "Estética da Ginga - A arquitetura das favelas através da obra de Hélio Oiticica". Casa da Palavra, 2001.
Este livro trata da arquitetura específica das favelas, utilizando-se da obra de Hélio Oiticica para melhor explicar as nuances dessa constituição arquitetônica tão específica.

  • Lester R. Brown - "Plan B 3.0 - mobilizing to save civilization". Norton, 2008.
O livro aborda de maneira geral os fatores que indicam como nosso estilo de vida atual está com seus dias contados e propõe uma maneira de garantirmos um futuro melhor.
  • Carolina Nath de Oliveira - "O Paradigma da Sustentabilidade na Seleção de Materiais e componentes para edificações" UFSC, 2009.
A dissertação aborda diversos fatores a serem considerados na hora de se selecionar materiais e componentes de uma edificação, levando em conta desde energia embutida, emissão de gases nocivos, reciclabilidade, etc.

  • Pedro Fiori Arantes e Mariana Fix - "Como o governo Lula pretende resolver o problema da habitação - Alguns comentários sobre o pacote habitacional Minha Casa, Minha Vida"
Interessante reflexão crítica sobre a problemática da habitação popular no Brasil e sobre o programa Minha Casa, Minha Vida.

... esta lista será complementada com o tempo...

Local de inserção


Tapera

O terreno onde será desenvolvido o projeto se encontra no bairro da Tapera, na cidade de Florianópolis. Esse bairro teve seu início com ocupação irregular, por volta de 1970, e há pelo menos 15 anos tem a configuração hoje observada. A área ocupada é em grande parte manguezal.