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Tuesday, September 14, 2010

Impressão "final" da Tapera

Após diversas visitas à Tapera e conversa com os líderes do centro comunitário, percebe-se que falar sobre projeto sustentável no bairro tratando-se apenas da edificação em si seria um tanto incoerente. Um bairro distante do centro, não tanto pela sua posição física, mas mais pela sua condição de acessibilidade – dificultada pelas estradas de acesso e por estar circundado por grandes extensões de terra institucionais -, também sofre com a invisibilidade, que ocorre devido ao fato de ninguém “passar” pela Tapera para chegar a lugar algum, nem haver nenhum grande atrativo para que se vá até lá. A praia é pequena e poluída, não consegue nem atender à população local; não há nenhum serviço público que atraia população de outros bairros, os moradores do bairro que tem que se deslocar aos outros bairros para suprir diversas das suas necessidades; as escolas não conseguem suprir nem a demanda local, quem dirá atrair moradores de outros bairros.

Foi inicialmente moradia de índios carijós, mas seu desaparecimento do local deu nome ao bairro (tapera significa casa abandonada). Após os índios, a ocupação começou por volta dos anos 70 na região da praia e na estrada que leva à entrada da base, no trecho entre a base e a ”rua da praia”, e era principalmente de nativos, porém a ocupação da maior parte da Tapera se deu principalmente nas últimas duas décadas, começando na parte alta e indo na direção da atual “Rua do Juca”. Na região da rua conhecida como “barreira” havia um grande monte de barro (por isso o nome do local), que foi desmanchado na sua maior parte, tendo sido muito desse barro utilizado para aterrar a parte mais baixa do bairro, que originalmente era mangue, fato que causa ainda hoje alagamentos ocasionais nessa região. A ocupação ocorrida nos últimos 20 anos já tem um caráter diferente daquela inicial, há muitas pessoas de outras regiões do estado e inclusive do país. O bairro da Tapera teve então uma consolidação recente, com uma comunidade diversa e vive em constante mudança – segundo os líderes do conselho comunitário: “toda semana tem gente entrando e tem gente saindo (de mudança)”.

Outro lado da Tapera são suas belezas naturais. O bairro tem uma grande área de mangue preservada, acidentes físicos que marcam o cenário, além de uma praia de baía, que apesar de ter águas impróprias para banho, é muito utilizada pela população e tem um cenário lindo e marcante, com duas ilhotas (das cabras e Dona Francisca) na sua frente. Devido a sua beleza, a Tapera também tem uma área com casas turísticas, de veraneio, de uma classe social mais elevada. Essa ocupação se dá numa área mais isolada do bairro, mas sua forma de implantação fecha o acesso à praia para outras pessoas, conformando, de certa maneira, uma praia privada. O bairro conta também com uma pequena população de pescadores que tem seus ranchos à beira mar. Ali também é feito o extrativismo de mariscos e similares.

É algo compatível com essa população tão diversa que procuro. Quero tirar partido da “bagunça” que acabou se formando devido a essa ocupação desordenada para projetar algo bastante humano. Também quero projetar algo que respeite o ecossistema local, agindo de forma cíclica com o mesmo.

Sunday, April 25, 2010

Visitando a Tapera

Para ver fotos da visita à Tapera, veja a apresentação em http://prezi.com/pvbvzetjsd9y/tcc-bruna/
Algumas coisas que observei no bairro em estudo, a Tapera:
Apesar de ser uma ocupação ilegal, o bairro não apresenta o aspecto de favela. Situa-se numa área plana, e, ao invés de casas apinhadas, vemos uma configuração mais parecida com um bairro do que uma favela. Temos ruas estreitas, mas as casas são estabelecidas soltas no lote, sendo eles demarcados por cercas e muros. A grande maioria das casas são construídas com afastamento entre o muro e a mesma, criando uma área intermediária entre o público e o privado. Nesse mesmo espaço há o estabelecimento de varandas laterais ou frontais, que têm um uso social, há cadeiras, mesas, brinquedos. Vê-se muitas portas e janelas abertas, permitindo ao passante visualisar um pouco do que se passa dentro da casa.
Percebe-se no bairro que há muita auto-construção, vemos casas em diversos estágios de construção, além de betoneiras nos quintais. Ao contrário da maioria das favelas, onde predomina a "laje", aonde se estabelecerá os puxadinhos, ali se vê muito o telhado cerâmico, duas águas principalmente.
No dia da visita, um sábado, foram vistas muitas pessoas na rua. Grupos de jovens conversando, adultos, idosos, meninas, mães com filhos... Também foi notado o uso da bicicleta como meio de locomoção por muitas pessoas.
O bairro dispõe de posto de saúde e de diversos pequenos comércios e serviços.

Tuesday, March 23, 2010

Mapas conceituais




Começando a organizar toda a informação que envolve o trabalho a ser desenvolvido, foi desenvolvido um mapa conceitual. Acima imagens do esboço inicial mostrando as diversas relações a serem consideradas nesse caso.
Clique nas imagens para ampliá-las. A roxa se desenvolve a partir do conceito "microclima "do mapa principal, enquanto a amarela é desenvolvida a partir de "Tapera" no mapa principal.

Fotos Aéreas Tapera

Foto demarcando o terreno no bairro.

1 - Principais questões sobre o projeto

O quê:
O projeto se propõe trabalhar com a questão da habitação, propondo alternativas mais sustentáveis e saudáveis, tanto para a população de baixa renda quanto para a classe média. Na formulação do projeto, levar em conta quesitos culturais, respeitar o local de inserção, projetar segundo princípios bioclimáticos e sem agredir o ecossistema local. Na escolha dos materiais, além das propriedades termoacústicas, buscar materiais com menor energia embutida, que sejam reutilizáveis e/ou recicláveis, que sejam atóxicos, que sejam de produção local, etc.

Construção bioclimática: Permacultura passo-a-passo, Building Green
Seleção de Materiais: Paradigma da Sustentabilidade, Building Green

Porquê:
Já sentimos na pele as atuais consequências do descaso de gerações com a natureza e o ecossistema. Alterações climáticas, mares de lixo, depleção de recursos naturais e extinção de espécies são fatos que assustam não mais apenas os ecologistas, mas a todos.
Por outro lado, no quesito social, temos uma enorme população que vive em condições insalubres, com moradias inadequadas, superlotadas e que não tem acesso ao mercado formal de moradias.
Abordando essas duas problemáticas, busca-se então a elaboração de um projeto que atenda a essa população, garantindo uma habitação de qualidade - arquitetônica, ambiental, de vida -, que respeite o meio ambiente em que está inserido, mantendo um baixo custo, permitindo o financiamento por parte do governo e o pagamento por parte da população.
O conjunto pretende englobar tanto a habitação para a população de baixa renda quanto para a classe média, de forma a diminuir a segregação espacial da população e para não estigmatizar algum material ou recurso mais sustentável como algo somente para a baixa renda.
Na parte social: Ermínia Maricato, cidades. Levantamentos da situação habitacional brasileira.
Na parte ambiental: Plan B 3.0


Para quem:
A população foco deste projeto em específico é a população da Tapera, bairro da cidade de Florianópolis originado por ocupação irregular. Assim como o bairro apresenta um grande espectro de renda, também o projeto pretende atender a essas diferentes realidades.
Para auxiliar na compreensão da cultura da população: A estética da ginga.

Saturday, March 13, 2010

2 - Onde

Apesar da idéia inicial ter começado do que seria projetado, o projeto deve ser todo voltado para a área em questão. Partindo disso as questões à respeito da área e da população seriam:

1 - Qual a relação dessa área com a cidade? É um bairro dormitório? As pessoas passam o dia no bairro ou fora dele? Qual a forma de transporte? Há transporte público? Quais as condições do mesmo?
2 - Qual o ecossistema do local? Qual o clima e microclima? Qual a vegetação existente e/ou nativa?
3 - Qual o perfil da população? Qual o estilo de vida? Qual a renda familiar? Qual o perfil dos chefes de família?
4 - Como é a forma de moradia? Quantos cômodos na casa? Há coabitação (mais de uma família ou geração na mesma casa)? Há preferência por casa ou apartamento? Porquê?
5 - Qual a infra-estrutura disponível na área?
6 - Quais os projetos da cidade para área? Há planos que alterarão o perfil do local? Quais serão os impactos?
7 - Qual a forma de implantação da ocupação? Métodos construtivos? Há situações de risco? Como é feito o uso das edificações e dos terrenos?
8 - Como a população encara os projetos do governo para a área?

A partir dessas questões, deve-se considerar sobre o projeto:
1 - Como o projeto se relaciona com o terreno e com o ecossistema?
2 - Como ele aproveita os fatores do clima e do microclima?
3 - Como ele se insere no contexto do bairro e da cidade?
4 - Como ele responde ao estilo de vida da população?

...continua...

Local de inserção


Tapera

O terreno onde será desenvolvido o projeto se encontra no bairro da Tapera, na cidade de Florianópolis. Esse bairro teve seu início com ocupação irregular, por volta de 1970, e há pelo menos 15 anos tem a configuração hoje observada. A área ocupada é em grande parte manguezal.