Um dos problemas na produção de habitação popular em larga escala é o processo utilizado. A distância entre as realidades daqueles que projetam e daqueles que recebem a obra geram diversos problemas. As diferentes prioridades, além do conceito pré-formado daqueles que projetam a respeito do que deve ser uma casa e do que é melhor para a comunidade resulta em obras como vemos em diversas situações, que não tem grande aceitação por parte da população.
Há aspectos que não podem ser desconsiderados quando no desenvolvimento de habitações para a comunidade, como por exemplo, a cultura da população. Como no caso do Catumbi, onde ruas foram em parte demolidas para a implantação de um viaduto, (estudado a fundo no livro "Quando a rua vira casa" de Carlos Nelson) qualquer alteração no espaço altera a maneira como as pessoas veêm e utilizam o mesmo. Essa cultura é específica de cada lugar, e afeta a vida e o dia-a-dia de cada um.
Fora a configuração urbana de cada espaço, há a forma de habitar, a casa em si. Em cada lugar, o conceito de 'casa' acaba se modificando, e as prioridades estabelecidas também. As habitações populares acabam sendo muito caras para a população a que se destinam por serem pensadas por pessoas de outra classe a partir do seu próprio conceito do que é uma habitação. Parece que na maioria das situações, se os próprios habitantes escolhessem eles investiriam o dinheiro de maneira diferente.
Outro aspecto é a relação do morador com a obra e construção. Se ele recebe a habitação pronta, sem ter tido qualquer participação na elaboração de seu projeto ou sua construção, é bem maior a probabilidade de ele se sentir alheio à mesma. Além disso, ela pode não se adequar ao seu estilo de vida. Nessa situação, já não havendo, de início, uma aceitação da obra, quando aparecer qualquer problema na construção em si, uma rachadura por exemplo, aumentará ainda mais a sua insatisfação com a casa e com o grupo que a desenvolveu e construiu. Quando a obra foi financiada e o morador deve fazer pagamentos, aumenta-se a chance de que esses pagamentos não sejam mais feitos. Quando o caso é de uma auto-construção, mesmo os problemas que aparecem são encarados de maneira mais complacente, uma vez que a construção foi feita por eles mesmos. O desenvolvimento do projeto em conjunto com os moradores também aumenta a aceitação do mesmo, assim como sua apropriação.
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