O local escolhido para o projeto foi um terreno da Tapera, visto que a secretaria de habitação está no momento desenvolvendo um projeto para a área.
A Tapera teve o início da sua ocupação por volta dos anos 70, havendo um boom de expansão levando à ocupação como se observa atualmente entre os anos 70 e 94 (como pode ser observado nas ortofotocartas da Ilha de Santa Catarina). Segundo a agente de saúde do bairro, dona Rose, grande parte dessa ocupação se deu pelas pessoas atraídas para a Ilha para trabalhar na construção civil durante o boom da região Norte da mesma.
O bairro atualmente se encontra desconectado do restante da Ilha, sendo cercado na porção Oeste, Norte e Leste por instituições (FAB, FAB e UFSC e CEFA (Centro de treinamento da Celesc), o que dificulta o acesso do bairro ao centro e aos bairros vizinhos. Por isso ele acaba sendo invísivel paraa grande maioria da população da cidade, que não o vê a não ser que se dirija especificamente a ele.
Por outro lado, a grande população do bairro (cuja estimativa da agente de saúde diz ser de 20mil habitantes) e o grande número de votos da mesma a torna alvo de campanha durante o período eleitoral, quando a mesma houve muitas promessas que acabarão por não serem cumpridas, uma vez que as obras feitas lá não são vistas pelo restante da população e não trazem mais votos.
A área ocupada pelo bairro é de aproximadamente 1,1km², e sua ocupação iniciou pela parte mais alta do mesmo. Nessa região encontra-se a população mais antiga, o maior número de manezinhos e as casas de um padrão melhor (fonte: observações e comentários de pessoas do bairro). A rua norte-sul que se encontra nesse ponto é conhecida como barreira, devido ao antigo monte de barro que ali se encontrava e que foi utilizado em grande parte para o aterro da parte mais baixa do bairro, onde a população mais recente foi se estabelecendo. Essa parte mais baixa sofre sérios problemas devido às cotas baixas, os alagamentos são frequentes. A rua norte-sul que se encontra nessa área é conhecida como rua do juca, onde havia um rio que se tornou o local para despejo dos dejetos, e há um ano foi canalizado e coberto no trecho com ocupação, se tornando uma larga calçada. Embora isso tenha auxiliado na redução dos alagamentos, segundo moradores a canalização do mesmo aumentou seu nível impedindo que o esgoto "desça".
Essas duas ruas norte-sul mencionadas são onde se encontra a maior parte dos comércios e serviços do bairro, sendo, consequentemente as mais movimentadas do bairro.
Os serviços oferecidos no bairro são insuficientes para o tamanho da população do mesmo. Há apenas um posto de saúde, com poucos recursos, faltam vagas em creches, e há apenas um colégio.
Há também no bairro uma espécie de "praia privatizada", num trecho onde as casas acabam por impedir o acesso de terceiros à praia. Essas casa são de veraneio e de uma classe de renda mais elevada. Para a população em geral o acesso à praia se dá por apenas uma rua, e a praia a que se tem acesso é bem pequena. Essa pequena praia é a única área de lazer do bairro, que já não tem áreas públicas, muito menos verdes e/ou de lazer.
O terreno de implantação do projeto se encontra num local com cota mais alta (alta para o geral do bairro), próximo à "barreira", não sendo inundável.
O texto está muito bom, mas fica mais interessante e compreensível se colocas as imagens, tanto fotos como mapas síntese da análise que estás desenvolvendo, como já sugeri nos demais posts. Acho que a questão do "terreno" ainda merece uma análise mais profunda e uma crítica mais clara com relação a política proposta pela prefeitura.
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